Use entretela rasgável quando o tecido é liso e estável — algodão, uniforme, camiseta, berço: ela sai à mão em segundos, sem água e com o menor custo por peça. Use entretela hidrossolúvel quando não pode sobrar nada no avesso — tule, renda, toalha felpuda, moletom e peças com verso visível: ela dissolve na lavagem e deixa o bordado limpo. Em toalha, a combinação das duas é o padrão de produção.
Entretela rasgável é uma base de não tecido usada como estabilizador temporário no bordado: fica atrás do tecido durante a costura e é removida à mão, puxando o excesso rente ao ponto, sem água e sem químicos. Entretela hidrossolúvel cumpre o mesmo papel com remoção oposta: é um material à base de PVA que dissolve na lavagem e não deixa resíduo na peça. As duas são descartáveis — nenhuma delas permanece no produto final.
Rasgável ou hidrossolúvel: qual usar no seu bordado?
Para a maioria das peças, a entretela rasgável é a escolha certa. Algodão plano, popeline, uniforme, camiseta, berço e avental bordam bem sobre não tecido de 60 g a 70 g, que sai à mão em segundos, não exige molho e apresenta o menor custo por peça entre os estabilizadores descartáveis. É a base que sustenta o bordado computadorizado em produção contínua, porque acompanha o ritmo da bancada sem parada de fila.
A entretela hidrossolúvel entra em cena quando sobrar resíduo é inaceitável: tule, renda, toalha felpuda, moletom, terno e qualquer peça cujo avesso fica à vista. Ela dissolve na lavagem e não deixa borda visível no contorno do desenho, o que elimina o retrabalho de arrumar fiapos ponto a ponto. O preço dessa decisão é um molho extra de 5 a 15 minutos por peça, algo que pesa em lote de 200 unidades e não pesa em lote de 10.
Os números de busca confirmam a rotina de produção: as 720 buscas mensais por "entretela rasgável" superam as 500 a 600 de "entretela hidrossolúvel" e quase triplicam as 260 de "filme hidrossolúvel". A maior parte de quem decide está escolhendo entre manter o fluxo seco e rápido ou assumir o molho para garantir acabamento invisível no avesso.
O critério que decide a escolha, portanto, não é o preço do rolo: é o que pode sobrar na peça depois da lavagem e o tipo de tecido sob o ponto. Se o tecido é liso e o ponto sai firme, a rasgável resolve; se o desenho some dentro da felpa ou o avesso é exposto, o hidrossolúvel resolve. O guia completo de tipos de entretela para bordado mostra as cinco famílias antes desta decisão mais fina, e este post trata só dessas duas, lado a lado, com tabela, gramatura, custo e passo a passo de teste.
Qual é a diferença entre entretela rasgável e hidrossolúvel?
A diferença começa no material e termina na remoção. A entretela rasgável é um não tecido (TNT) feito de fibras agulhadas que se soltam com tração: você puxa a base rente ao bordado e ela descola em fiapos, sem água, sem calor e sem espera. A entretela hidrossolúvel é um filme ou uma manta à base de álcool polivinílico (PVA), polímero hidrossolúvel que perde a estrutura assim que encontra água e some na lavagem.
As duas famílias trabalham na mesma posição — atrás do tecido, tensionadas no bastidor — e as duas são descartáveis, ou seja, nenhuma delas acompanha a peça até o fim da vida útil. Quem precisa que o reforço permaneça no produto, como colarinho, paletó e frente de boné, está falando de entretela termocolante ou de entretela de memória, que são assuntos de outro post do cluster.
O segundo ponto de diferença é a faixa de gramatura. A rasgável é fabricada de 30 g a 90 g, porque ela precisa atender desde monograma leve em berço até bordado denso em malha poliéster com elastano. A hidrossolúvel de fundo é encontrada principalmente em 40 g e 45 g, e o filme hidrossolúvel de topo mais usado, o FH-10, tem 40 g/m² — gramatura suficiente para segurar ponto em felpa de até cerca de 3 mm de altura.
Por fim, a diferença aparece no avesso. A rasgável mal retirada deixa fiapo e uma borda levemente visível sob luz rasante; a hidrossolúvel bem dissolvida não deixa nada — por isso ela é obrigatória em tule, renda e toalha de hotelaria, onde o cliente olha os dois lados da peça antes de comprar.
Tabela comparativa: entretela rasgável x entretela hidrossolúvel
O quadro abaixo reúne os nove critérios que realmente mudam a decisão de bancada: dissolução e remoção, uso de água, gramatura, formato e preço de rolo, tecidos, bordados finos, resíduo, avesso e uso ideal. Leia a linha inteira antes de decidir — em metade dos casos, o critério de remoção já resolve a escolha sozinho.
| Critério | Entretela rasgável | Entretela hidrossolúvel |
|---|---|---|
| Dissolução / remoção | Não dissolve: rasga-se à mão ou com alicate, rente ao ponto, em segundos | Dissolve em água: molho de 5 a 15 minutos no filme de 40 g; a base de PVA acelera a partir de 40 °C |
| Uso de água | Nenhum: remoção a seco, sem molho, sem enxágue e sem secagem extra | Obrigatório: primeiro molho manual antes de qualquer lavagem, depois enxágue e secagem à sombra |
| Gramatura comum | 30 g, 40 g, 50 g, 60 g, 70 g e 90 g | 40 g e 45 g na base; 40 g, 60 g e de 60 g a 80 g no filme |
| Formato de rolo | 90 cm x 200 m nas linhas de produção; 90 cm x 100 m nas linhas de toque macio | 0,30 m x 50 m, 0,30 m x 100 m, 1,50 m x 50 m e 1,50 m x 100 m no FH-10 de 40 g |
| Preço por rolo | Menor preço por metro quadrado do par; varia com a gramatura e a largura do rolo | Preço de rolo mais alto que a rasgável na mesma metragem; confira o valor atual na ficha do produto |
| Custo por peça | O menor entre os estabilizadores descartáveis | Maior: consome material, água e 5 a 15 minutos de mão de obra a cada peça |
| Tecidos ideais | Algodão, popeline, linho, uniforme, camiseta, berço, avental e malha estável | Tule, renda, toalha felpuda, moletom, pelúcia, terno e peças com avesso visível |
| Bordados finos | 30 g a 50 g sustentam monograma e ponto aberto em tecido liso | Sustenta ponto fino sobre felpa e tule sem deixar relevo no contorno do desenho |
| Resíduo na peça | Pode deixar fiapos e borda leve se a base não for puxada rente ao ponto | Não deixa resíduo dissolvido em água fria; água acima de 40 °C deixa película pegajosa no filme |
| Avesso do bordado | Limpo, com marca de contorno às vezes visível sob luz rasante | Invisível: o avesso fica idêntico ao direito, sem contorno e sem relevo |
| Tempo de remoção | Imediato, no mesmo fluxo da bancada, sem interromper a fila de produção | De 5 a 15 minutos de molho mais a secagem à sombra antes de embalar |
| Uso ideal | Produção em escala, prazo curto e peças sem restrição de lavagem | Peças que não podem sobrar nada no avesso e tecidos que engolem o ponto |
Vale destacar três linhas do quadro. A primeira é a de uso de água: a rasgável não tira nenhuma peça do fluxo produtivo, enquanto a hidrossolúvel cria um ponto de parada obrigatório entre o desencaixe e o embalo. A segunda é a de formato de rolo: a rasgável cobre 90 cm por 200 m em um único rolo, e o hidrossolúvel de topo pode ser comprado em 0,30 m para bastidor pequeno ou 1,50 m para toalha de hotelaria e renda sem emenda. A terceira é a de resíduo, que é o critério decisivo quando o cliente exige avesso impecável.
Quanto tempo leva para retirar cada uma depois de bordar?
A retirada da entretela rasgável leva segundos. Desencaixe a peça, apoie o avesso na mão e puxe a base rente ao contorno do desenho: o não tecido solta em fiapos e o excedente vai para o lixo. Em bordado denso, vale rasgar primeiro a área externa e só depois trabalhar o miolo do desenho, com a unha ou com a ponta de uma pinça, para não puxar ponto que ainda está frio.
A retirada da entretela hidrossolúvel leva de 5 a 15 minutos de molho, contados a partir do momento em que a peça fica completamente submersa em água. Filme de 40 g com desenho médio sai entre 5 e 8 minutos; filme de 60 g, desenho com preenchimento denso e versão reforçada com malha pedem os 10 a 15 minutos cheios, com movimentação suave da peça a cada 2 ou 3 minutos.
Somada à secagem à sombra, a diferença real entre os dois métodos é de cerca de 20 a 30 minutos por lote, e não por peça, desde que o molho seja feito em balde único com várias peças ao mesmo tempo. Em produção de 200 camisetas de algodão, o hidrossolúvel é tempo puro perdido; em lote de 40 toalhas de hotelaria, o mesmo molho é uma etapa que roda enquanto a máquina já borda a fila seguinte.
Entretela hidrossolúvel e filme hidrossolúvel: são a mesma coisa?
Não, e a confusão é a mais comum do cluster. Os dois dissolve em água, mas ocupam posições diferentes dentro do bastidor: a entretela hidrossolúvel é o fundo, fica no avesso do tecido, dá corpo e também dissolve; o filme hidrossolúvel é o topping, fica no lado do ponto, sustenta o topo durante a costura e some na lavagem. Um resolve a estrutura, o outro resolve a superfície.
Os números de busca mostram a troca de conceito: 500 a 600 buscas mensais para "entretela hidrossolúvel" contra 260 para "filme hidrossolúvel". Boa parte de quem procura a primeira está, na prática, atrás do segundo. Em toalha, moletom e pelúcia a resposta correta costuma ser os dois ao mesmo tempo, montados em camadas opostas no mesmo bastidor.
Há também diferença técnica na remoção. A base de PVA dissolvida com água morna, a partir de 40 °C, some mais rápido e exige dois enxágues; o filme de topo, por outro lado, é removido em água fria e reage mal a temperatura alta. O guia de como usar filme hidrossolúvel no bordado detalha o molho, a agulha 75/11 ou 90/14 e as causas do resíduo, e é leitura obrigatória antes de montar a primeira peça com filme.
A regra prática para não errar a compra é o toque no bastidor: se o material encosta no avesso do tecido, é entretela de fundo; se encosta no lado de fora, é filme de topo. Compre os dois quando a produção tiver toalha e felpa na mesma semana, e mantenha a decisão registrada na ficha da peça para o operário não trocar o material na correria do lote.
Qual gramatura escolher em cada família?
Na rasgável, a gramatura acompanha a densidade do ponto e a elasticidade do tecido. De 30 g a 50 g resolve ponto aberto, monograma fino, berço e tecido firme. De 60 g a 70 g é o padrão para camiseta de algodão e uniforme. De 70 g a 90 g entra em malha poliéster, peça com elastano e bordado computadorizado denso, quando o ponto ameaça furar a base.
| Gramatura | Rasgável | Hidrossolúvel | Uso típico |
|---|---|---|---|
| 30 g a 40 g | Sim | — | Monograma, ponto aberto, berço, avental, tecido firme |
| 40 g a 45 g | Sim | Sim (padrão da base) | Camiseta leve, toalha fina, tule e renda com ponto médio |
| 50 g a 60 g | Sim | Sim (filme de 60 g) | Ponto médio em algodão encorpado, felpa densa e pelúcia |
| 70 g a 90 g | Sim | — | Malha poliéster, elastano, bordado denso, bordado 3D |
A escolha errada de gramatura aparece como defeito, não como sensação. Gramatura baixa em tecido elástico causa franzido no centro do bastidor; gramatura alta demais deixa a peça dura e emperra o ponto. A régua mais usada na bancada é simples: encontre a menor gramatura que estabilize o bordado sem furar o tecido, e em caso de dúvida dobre a camada em vez de subir de faixa. A tabela completa, com a leitura por tecido e por densidade de ponto, está no post de gramaturas de entretela para bordado.
Na hidrossolúvel, a faixa é mais curta: 40 g e 45 g na base de fundo, e 40 g no filme mais usado, subindo para 60 g em felpa alta e para 60 g a 80 g no filme reforçado com malha, usado em bordado 3D e em aplicações sem tecido de fundo. Repare que nenhuma das duas famílias exige gramatura acima de 90 g, ao contrário da entretela de memória, que começa em 220 g.
Quanto custa cada uma por rolo e por peça?
O preço por rolo da rasgável é menor que o do hidrossolúvel na mesma metragem, e o custo por peça amplia a diferença porque o hidrossolúvel consome ainda água, tempo de molho e secagem. A Lola não trabalha com preço de rolo fixado em texto: o valor muda por gramatura, largura e lote, e é atualizado diretamente na ficha de cada produto — por isso a comparação correta é sempre o custo por metro quadrado e por peça, não o valor do rolo.
Em termos de consumo, os números do cálculo ajudam a dimensionar: um bordado de 10 x 10 cm consome cerca de 100 cm² de base, e mil peças nesse formato somam em torno de 11 m² de material mais 10% de margem para recorte. Comprando em rolo de 90 cm por 200 m, a entretela rasgável Lec-70 cobre semanas de produção contínua sem reposição no meio do lote.
O custo oculto do hidrossolúvel está no molho: cada peça pede de 5 a 15 minutos de imersão, enxágue e secagem à sombra, e em lote grande isso vira mão de obra e espaço de varal. Por isso a conta muda de sinal conforme o volume: em produções de 1.000 peças de algodão plano, a diferença entre uma gramatura a mais e a gramatura certa já pode somar centenas de reais por lote, e o hidrossolúvel usado sem necessidade piora ainda mais o resultado.
A recomendação é comprar a rasgável pela metragem e o hidrossolúvel pela necessidade real. Se menos de 10% do seu faturamento vem de toalha, tule ou avesso visível, mantenha um rolo de 0,30 m x 50 m de filme de 40 g e o resto em rasgável de 90 cm x 200 m. Antes de fechar o pedido, confira a categoria de entretela rasgável para bordado e as linhas de hidrossolúvel para bordado para ver largura, gramatura e metragem de cada linha.
Em quais tecidos a rasgável rende melhor?
A rasgável rende melhor em tudo que é liso, firme e previsível sob a agulha: algodão, popeline, linho, twill, uniforme, camiseta, berço, avental e avental de cozinha. Nesses materiais, o ponto não afunda nem desliza, a base só precisa dar contra-resistência ao trauma da agulha, e o não tecido de 60 g a 70 g cumpre esse papel com o menor custo possível por peça.
Ela também domina a produção de alto volume por um motivo operacional: a remoção acontece no mesmo fluxo da bancada. O operário desencaixa, rasga, confere e segue para a próxima peça, sem parar a fila para molho, sem ocupar balde e sem depender de secagem. Em linha que roda 200 a 500 peças por dia, essa diferença de etapa é o que separa uma produção que fecha o lote no prazo de uma que acumula peça esperando água.
Há um limite claro: a rasgável não entra em tecido que engole o ponto. Em toalha, moletom, pelúcia e tule, o pelo ou a abertura da trama empurra o fio para baixo e o desenho sai irregular — nesses casos, manter a rasgável sozinha é insistir em um material fora da função dele. O pilar de tipos de entretela para bordado traz a tabela por peça para conferir esse encaixe antes de comprar, e a categoria de entretela rasgável para bordado mostra as linhas de 30 g a 90 g disponíveis em rolo.
Uma observação sobre acabamento: em peça com avesso exposto, como camisa sem forro ou lenço, a rasgável é aceitável quando for puxada rente e uniforme. Se o cliente pede avesso idêntico ao direito, o residual de contorno que sobra sob luz rasante já justifica trocar o método — e essa troca é barata, porque a mesma peça aceita os dois materiais sem mudar arquivo, bastidor nem agulha.
Em quais tecidos a hidrossolúvel é insubstituível?
A hidrossolúvel é insubstituível em tule, renda, toalha felpuda, pelúcia, terno e em qualquer peça em que o avesso do bordado fica à vista. Nesses materiais não existe superfície lisa para a base comum se apoiar, e o único jeito de sustentar o ponto sem deixar marca é usar um material que desapareça depois — exatamente a função do PVA.
Toalha de hotelaria é o caso mais clássico: a felpa de 3 mm ou mais engole o ponto, e a receita padrão de produção é base rasgável fina embaixo para estabilidade estrutural mais camada hidrossolúvel por cima para acabamento. Essa combinação, chamada de técnica sanduíche, é a que garante desenho nítido no direito e avesso limpo sem fiapos presos entre os fios da toalha.
O material também é obrigatório em bordado sem tecido de fundo. Com o filme reforçado de 60 g a 80 g, com malha embutida, renda, richiliê e aplicações passam a ser bordadas sem nada embaixo: o próprio estabilizador vira a estrutura e dissolve depois, deixando só o ponto. Nenhum não tecido rasgável consegue esse resultado, porque ele precisa de tecido para existir.
Em couro sintético, vinil, lona plastificada e spandex escorregadio, a hidrossolúvel de topo resolve outro problema: o deslizamento. O filme adesivo de 40 g a 60 g gruda levemente no material, impede que a peça saia da área do bastidor e dissolve depois — lembrando que couro e vinil pedem teste em sobra antes do molho longo, porque nem todo substrato convive bem com imersão prolongada.
Qual a melhor opção para bordados finos e monogramas?
Em tecido liso, a melhor opção para bordado fino é a entretela rasgável leve, de 30 g a 50 g. Monograma, nome de berço, inicial em avental e logotipo de ponto aberto pedem uma base fina que não crie relevo no contorno e não empurre o ponto para fora do lugar; gramatura maior nessas situações endurece a peça e amplia a marca de costura sem ganho algum em definição.
Sobre felpa, tule e renda, a resposta muda: aí o bordado fino precisa de hidrossolúvel, porque o problema não é a base de trás e sim a superfície da frente. O filme de 40 g segura o topo do ponto, impede que ele mergulhe na felpa e dissolve sem deixar contorno visível — o que é decisivo em nome curto bordado em toalha, onde cada letra fina mostra qualquer irregularidade.
A terceira situação é o ponto fino em tecido com elastano: combinação de rasgável pesada, de 70 g a 90 g, com tensão firme no bastidor e velocidade média na máquina. Malha escorrega e retrai, e uma base leve de 30 g não segura o ponto que vai e volta durante o preenchimento; aqui a gramatura vence a delicadeza do desenho.
Para decidir entre as duas em desenho fino, faça uma peça-piloto de 1 desenho antes de rodar 200 unidades e observe duas coisas sob luz rasante: se o contorno está nítido no direito e se há marca de base no avesso. Se o contorno está bom e o avesso está limpo, o método está certo — independentemente de qual dos dois você escolheu. Ajuste fino de velocidade e de tensão do bastidor está descrito no passo a passo de como aplicar entretela termocolante quando a base de fundo for termocolante em vez de tensionada.
O que sobra na peça depois do bordado: resíduo e avesso
Na rasgável, o que sobra é material mecânico: fiapos de não tecido presos em cantos de letra, ponta de contorno e áreas de preenchimento denso. A remoção correta — puxar rente ao ponto, com a peça fria e sem apressar — remove 95% disso em segundos, e o restante sai com uma passada de pinça ou com uma escova macia antes do embalo.
Na hidrossolúvel, o que pode sobrar é filme não dissolvido. A causa mais comum é água acima de 40 °C, que derrete o PVA de forma descontrolada e deixa película pegajosa grudada no fio; a segunda é tempo insuficiente de molho; a terceira é camada dobrada dentro do bastidor, em que só a parte externa dissolve. Em todas, a correção é a mesma: água fria, imersão longa e movimentação suave.
O avesso é onde os dois métodos se separam de vez. Com rasgável bem retirada, o verso fica limpo e funcional, mas o contorno do desenho pode aparecer sob luz rasante — aceitável em frente de boné, gola e paletó, que serão forrados ou escondidos. Com hidrossolúvel bem dissolvida, o verso fica idêntico ao direito, o que é exigência em jaqueta aberta, camisa sem forro, lenço, painel decorativo e toalha de praia.
Existe ainda o caso do bordado que atravessa a lavagem industrial. Depois de removido o estabilizador descartável, quem sustenta o ponto é o próprio fio combinado com a base permanente, quando existe. Por isso a higienização antes do primeiro ciclo não é opcional: peça com fiapo de rasgável ou filme remanescente no lote inteiro é o tipo de problema que só aparece quando o cliente já recebeu o pedido.
Como testar e higienizar a peça depois de bordar
O teste de aprovação e a higienização formam uma única rotina que leva cerca de 30 minutos e protege o lote inteiro. Ela serve para os dois métodos: confere se o ponto resistiu, se sobrou base na peça e se a lavagem não alterou o desenho antes de você embalar qualquer unidade.
Materiais necessários: peça-piloto bordada, balde ou pia com água, a base usada no lote (rasgável de 60 g a 70 g ou filme hidrossolúvel de 40 g), tesoura ou pinça, pano absorvente e luz rasante para conferência do avesso.
- Borde a peça-piloto: use o mesmo arquivo, a mesma base e a mesma agulha do lote — 75/11 em tecido fino e 90/14 em toalha e felpa — para que o teste represente a produção real.
- Confira o ponto antes de remover: olhe contorno e preenchimento sob luz rasante; ponto frouxo, estouro de linha ou franzido indicam tensão do bastidor, e não problema de entretela.
- Remova a base pelo método correto: na rasgável, puxe rente ao ponto com a peça fria; na hidrossolúvel, mergulhe em água fria por 5 a 15 minutos, movimentando a peça a cada 2 ou 3 minutos.
- Higienize a peça: enxágue em água fria corrente com movimento suave dos dedos, sem sabão, sem soda e sem amaciante, para retirar fiapo solto ou película remanescente de PVA.
- Escorra sem torcer e seque à sombra: não use secador nem ferro sobre peça ainda úmida, porque o calor fixa qualquer resíduo remanescente no fio.
- Olhe o avesso de novo: sob luz rasante, o contorno deve estar limpo e o verso sem brilho de película; se houver brilho, repita a imersão em água fria antes de seguir.
- Faça o teste de lavagem: lave a peça-piloto em ciclo normal, seque e compare com a amostra original — desenho encolhido, ponto solto ou base aparecendo indicam gramatura errada.
- Registre a receita aprovada: anote base, gramatura, agulha, velocidade e tempo de molho, e só então libere o lote para produção e embalo.
Rode 1 peça-piloto a cada lote de 200 unidades e não uma por dia. O teste consome 5 minutos e captura troca de rolo, agulha gasta e tensão solta antes que entrem no lote inteiro; quem testa só uma vez por turno costuma descobrir o problema quando a metade da produção já está embalada.
Técnica sanduíche: quando usar as duas juntas
A técnica sanduíche usa a rasgável como fundo estrutural e a hidrossolúvel como topo de acabamento, montadas no mesmo bastidor. O padrão é base rasgável fina atrás do tecido, para estabilidade, e camada hidrossolúvel por cima, para o ponto não afundar na felpa e o avesso não guardar fiapo. É o que a indústria de toalha usa todos os dias.
A ordem de montagem importa mais que os materiais: fundo, tecido e topo, tensionados juntos, sem prega em nenhuma das três camadas. Folga de 2 a 3 cm em relação ao desenho em todos os lados evita que o ponto caia fora da área sustentada, e a tensão precisa ficar firme como um tambor — camada frouxa ondula no meio do bordado e devolve ponteiro afundado exatamente no centro do desenho.
A combinação também faz sentido em moletom e blusa de frio, com a base colada por dentro e o filme fino por cima, para a gola não franzir; e em polo com logo, com entretela de fundo pré-aplicada e hidrossolúvel de topo só onde o ponto é fino. O ponto que decide quando usar as duas é a leitura do avesso: se a peça mostra o verso ao cliente, sanduíche; se o verso é escondido, a rasgável sozinha resolve.
Erros comuns ao trocar de uma base para outra
Usar água acima de 40 °C para acelerar a dissolução é o erro mais caro da troca: o PVA derrete rápido, seca grudado no fio, escurece o desenho e exige novo molho frio antes de embalar. Outros três erros frequentes: manter a rasgável em toalha porque "sempre usamos assim", que gera ponto afundado e refação; usar hidrossolúvel em algodão plano, que encarece a peça sem ganho; e puxar a rasgável com a peça quente, que arranca ponto ainda mole. Correção: água fria, 10 a 15 minutos de imersão e conferência sob luz rasante.
Quatro erros complementares aparecem na troca de método. O primeiro é esquecer o fundo: o hidrossolúvel de topo protege a superfície, mas a entretela de fundo continua obrigatória em tecido texturizado. O segundo é gramatura trocada — filme fino em felpa alta e não tecido pesado em tecido delicado. O terceiro é tensionar o filme junto com o tecido sem alinhar, criando prega. O quarto é molhar o material antes da hora, o que desliza tudo no bastidor.
Também vale registrar o erro de estoque: manter só um material força o operário a improvisar quando entra toalha ou tule na fila. Estoque mínimo recomendado são 3 gramaturas de rasgável (40 g, 60 g e 70 g) mais um filme hidrossolúvel de 40 g — combinação que resolve mais de 90% dos bordados em vestuário e boa parte dos de acessório.
Por fim, o erro de leitura de rótulo: comprar a metragem errada porque a embalagem parecia igual. A rasgável de produção sai em rolo de 90 cm por 200 m e a linha de toque macio em 90 cm por 100 m; o filme hidrossolúvel sai em 0,30 m ou 1,50 m de largura. Confira gramatura, tipo e largura na embalagem antes de abrir o lote — 10 segundos de leitura evitam perder a produção inteira.
Perguntas frequentes sobre entretela rasgável e hidrossolúvel
Rasgável de 60 g a 70 g. Algodão plano é tecido liso e estável, o ponto sai firme sem ajuda da água e a base sai à mão em segundos, com o menor custo por peça. Hidrossolúvel só entra se o cliente exigir avesso sem contorno visível.
Não, desde que dissolvida corretamente. Água fria por 5 a 15 minutos remove o filme por completo; água acima de 40 °C deixa película pegajosa no fio. Se sobrar brilho, repita a imersão em água fria com movimentação suave antes de secar.
De 5 a 15 minutos em água, contados após a submersão total. Desenho médio com filme de 40 g sai em 5 a 8 minutos; preenchimento denso, filme de 60 g e versão reforçada com malha pedem 10 a 15 minutos e movimentação constante.
Sozinha, não. A felpa empurra o ponto para baixo e o desenho sai irregular. O padrão é base rasgável fina embaixo mais camada hidrossolúvel por cima — a técnica sanduíche usada em toalhas de hotelaria e em peças de felpa densa.
Em tecido liso, rasgável de 30 g a 50 g, que não cria relevo no contorno da letra. Sobre felpa, tule ou renda, filme hidrossolúvel de 40 g, porque ele sustenta o ponto no topo e dissolve sem deixar marca no desenho.
Sim. O primeiro molho é manual, em água fria, com enxágue e secagem à sombra antes de qualquer máquina. Depois que o material dissolvido sai, a peça segue lavagem doméstica ou industrial normalmente, sem efeito residual sobre o ponto.
Entre 60 g e 90 g conforme a elasticidade: 60 g a 70 g para algodão e uniforme, 70 g a 90 g para malha poliéster, elastano e bordado denso. Em ponto muito denso, dobrar a camada costuma resolver melhor que trocar de gramatura.
Sim, e é o padrão em toalha: rasgável fina como fundo estrutural e hidrossolúvel como topo de acabamento. Monte fundo, tecido e topo nessa ordem, com folga de 2 a 3 cm e tensão firme, e remova cada camada pelo seu método.
A rasgável, nos dois sentidos: menor preço de rolo por metro quadrado e menor custo por peça, porque dispensa água, molho e secagem. O hidrossolúvel só entra quando o acabamento do avesso ou o tipo de tecido torna a troca inevitável.
Definiu o método? Monte a bancada com a entretela rasgável Lec-70 de 90 cm por 200 m, a gramatura de produção para algodão e uniforme, e mantenha um filme hidrossolúvel de 40 g para toalha e tule.
Ver entretela rasgável Lec-70