Para a maioria dos bonés de 6 painéis, a entretela de memória de 285 g é a gramatura padrão: dá corpo à frente sem endurecer a costura. Boné leve e bordado aberto pedem 220 g; frente estruturada e bordado denso pedem 330 g; e as versões sem cola de 235 g e 250 g entram quando a fixação é por costura. A escolha certa depende da estrutura do painel e da densidade do ponto, não do preço do rolo.
A frente do boné é a única parte da peça que o cliente olha por 365 dias por ano, e é justamente ela que cai quando a gramatura da entretela de memória está errada. Em produção, esse erro aparece depois do terceiro ou quarto lote: o painel frontal ondula, o bordado pesado puxa o tecido e a forma estruturada vira um painel mole que não sustenta nem o nome bordado nem a curva da aba. Trocar a gramatura depois que o corte saiu custa o painel inteiro, porque a entretela de memória já foi prensada e não volta ao estado original.
Este guia trata da decisão de gramatura exclusivamente no contexto do boné: frente estruturada, painel de 6 painéis, aba curva (curved ou bill), bordado pesado e leve, e a escolha entre versão termocolante e versão sem cola. Você encontra a tabela de gramatura por aplicação em boné, o detalhamento de cada faixa de 220 g a 330 g, o passo a passo de aplicação com os números de temperatura e tempo, o dimensionamento de rolo para 1.000 peças e as 9 perguntas que mais chegam de quem está fechando o primeiro pedido de cavalinho.
Entretela de memória é um não tecido (TNT) rígido com resina termofusível em um dos lados, também chamada de entretela cavalinho. Fabricada em gramaturas de 220 g a 330 g, nas cores branca, cinza e preta, ela é ativada entre 130 °C e 160 °C com prensa térmica ou ferro de passar e permanece na peça depois de colada. Serve para estruturar bonés, viseiras e acessórios que precisam manter a forma.
O que é entretela de memória (cavalinho) e por que ela entra no boné
Entretela de memória é o nome comercial de um não tecido de alta gramatura com resina termofusível aplicada em um dos lados. Enquanto a entretela comum de bordado existe para estabilizar o tecido durante o ponto e depois sair da peça, a de memória existe para ficar: ela é a estrutura permanente do painel, o elemento que devolve ao boné a forma de cabeça depois de dobrar, lavar e transportar. Por isso ela circula no mercado com três nomes — entretela de memória, entretela cavalinho e entretela inteligente — e com uma faixa de gramatura fechada entre 220 g e 330 g.
A construção é sempre a mesma: base de TNT, resina termofusível em um dos lados e gramatura declarada no rótulo. A diferença entre um produto e outro está na espessura desse TNT e na distribuição da resina, e é isso que muda a rigidez final do painel. A ativação térmica acontece entre 130 °C e 160 °C, com prensa térmica ou ferro de passar, e exige calor alto mais pressão prolongada para que a resina penetre no não tecido estruturado — muito mais tempo do que o ferro exige em uma termocolante de vestuário.
No boné, essa entretela é aplicada no avesso do painel frontal antes do corte ou logo depois dele, e ela é o que permite que a frente fique em pé sozinha. Sem ela, o brim ou o poliéster do painel depende apenas da tensão das costuras e da aba plástica para manter a forma, e essa combinação não basta: a aba segura a viseira, não a copa. O guia completo de entretela de memória detalha aplicações, cores e temperaturas; aqui, o recorte é a gramatura e a decisão dela dentro da linha de boné.
Entretela de memória x entretela termocolante comum
A confusão mais cara da bancada é tratar a de memória como se fosse uma termocolante de gramatura alta. A termocolante comum para bordado vai de 20 g a 60 g e serve para estabilizar camiseta, polo e uniforme; a de memória começa em 220 g, mais de três vezes esse teto, e endurece a peça de propósito. Usar a de memória em camiseta deixa o tecido rígido e imprestável; usar a termocolante leve na frente de boné deixa o painel mole e o bordado sem suporte. Cada uma ocupa uma função distinta na linha de produção.
Gramatura x aplicação em boné: a tabela que resolve a escolha
A tabela abaixo é a referência de compra para quem monta a linha de boné. Ela cruza cada gramatura disponível de 220 g a 330 g com o tipo de fixação, a cor usual, o que ela entrega em termos de estrutura e o lugar exato onde ela entra na montagem. Use a coluna "estrutura que entrega" como critério principal: é ela que traduz gramatura em resultado visível na peça pronta.
| Gramatura | Fixação | Cor usual | Estrutura que entrega | Aplicação em boné | Bordado |
|---|---|---|---|---|---|
| 220 g | Termocolante | Branca | Corpo leve, painel flexível | Boné leve, frente sem exigência de forma rígida, modelo de campanha | Bordado aberto, ponto fino, logo pequeno |
| 235 g | Sem cola | Branca | Corpo médio, fixado por costura | Frente que será forrada e costurada, protótipos e amostras | Bordado leve a médio |
| 250 g | Sem cola | Preta | Corpo médio alto em tecido escuro | Frente escura com fixação por costura, painel forrado depois | Bordado médio |
| 270 g | Termocolante | Branca | Corpo médio alto, boa memória de forma | Boné estruturado de linha intermediária, frente de 6 painéis | Bordado médio a denso |
| 285 g | Termocolante | Cinza | Corpo firme, padrão de produção | Frente estruturada padrão, boné 6 painéis com logo centralizado | Bordado denso |
| 290 g | Termocolante | Preta | Corpo firme em tecido escuro | Frente escura estruturada, sem marca de resina clara no avesso | Bordado denso |
| 330 g | Termocolante | Cinza | Máxima rigidez, forma permanente | Frente estruturada rígida, painel curvo reforçado, linha premium | Bordado pesado e bordado 3D |
Três leituras saem dessa tabela. Primeiro, 285 g é o ponto de equilíbrio da indústria de boné: é a gramatura que sustenta a frente estruturada sem transformar a costura em ponto de tensão. Segundo, a cor acompanha o tecido — cinza e preta existem para não transparecer no avesso de painel escuro, não por estética. Terceiro, as duas versões sem cola ocupam a faixa de 235 g a 250 g e resolvem o caso em que a fixação é por costura e a remoção pode ser necessária antes do forro final.
Faixa por perfil de boné
- Boné leve ou promocional: 220 g, porque a peça tem ciclo de vida curto e não precisa de memória de forma prolongada.
- Boné estruturado padrão: 270 g ou 285 g, a faixa que atende à maioria dos modelos de 6 painéis com bordado frontal.
- Frente estruturada rígida e linha premium: 290 g ou 330 g, quando o painel precisa manter a curva mesmo vazio.
- Fixação por costura ou amostra: 235 g e 250 g sem cola, que estruturam sem depender da ativação térmica.
Frente estruturada: qual gramatura segura a forma do painel frontal
Frente estruturada é o painel frontal que precisa permanecer ereto mesmo com o boné vazio sobre a mesa. Para isso acontecer, três elementos trabalham juntos: a entretela de memória no avesso do painel, a tensão das costuras que fecham os 6 painéis e a aba plástica que ancora a base do painel curvo. A entretela responde pela maior parte dessa rigidez, e é por isso que a gramatura dela é a variável que mais muda o resultado visual da peça.
Na prática, a faixa que entrega frente estruturada vai de 285 g a 330 g. Abaixo de 270 g, o painel tende a acompanhar o movimento do tecido e a frente fica com aparência de boné mole, mesmo com aba nova. Acima de 330 g, a rigidez passa a brigar com a costura: a agulha encontra resistência e o pesponto que fecha o painel sai com tensão irregular. A referência de produção é trabalhar com 285 g como padrão e subir para 330 g apenas nos modelos em que o molde exige forma permanente.
A outra metade da decisão é a aba. Abas plásticas com rigidez de 19,6 kg a 20 kg são o padrão de boné premium e mantêm a curva por mais tempo, e a entretela de memória precisa dessas duas peças calibradas entre si: entretela leve com aba rígida deixa a base da frente dura e o topo mole; entretela pesada com aba flexível inverte o problema. O guia de aviamentos para confecção de bonés traz a especificação de cada insumo — aba, tela, viés, fita dupla face, suede e regulador — para fechar esse dimensionamento junto com a gramatura.
Frente estruturada x painel macio no mesmo lote
Algumas linhas usam frente estruturada e painel macio no mesmo modelo: frente em brim com entretela e laterais em tela ou suede sem entretela. Nesse caso a gramatura é definida por painel, não por boné, e o corte precisa separar os rolos. Misturar a mesma gramatura em todos os painéis é o erro mais comum de quem está migrando de um fornecedor para outro: a frente sai certa, mas o painel lateral ganha rigidez indevida e a costura de encontro entre os dois fica com relevo visível.
Boné de 6 painéis: onde a entretela de memória entra em cada painel
O boné clássico é montado com 6 painéis, mais 1 aba plástica, 1 regulador plástico e 1 botão de forrar no topo, onde as tiras convergem. Essa arquitetura define onde a entretela de memória tem efeito e onde ela atrapalha. No modelo padrão, ela entra apenas nos painéis frontais — os dois que formam a frente — porque são eles que sustentam o bordado e a forma; os painéis traseiros seguem sem entretela estruturada para manter a flexibilidade da carneira e do regulador.
O viés de carneira, aplicado nas costuras internas com 55 mm de largura, é o acabamento que esconde justamente os encontros entre painéis. Se a entretela invadir o painel traseiro, o viés perde a folga necessária e a costura interna fica rígida, o que provoca franzido na montagem e desconforto na cabeça. A regra de corte é simples: molde da frente com margem para a entretela, molde dos painéis laterais e traseiros sem ela, e as duas peças cortadas em sequência para que a linha de corte não desperdice rolo.
Outro ponto de decisão é o momento da aplicação. Aplicar a entretela na chapa de tecido antes do corte garante adesão uniforme e corte limpo; aplicar no painel já cortado economiza material em modelos com frente pequena, mas exige mais precisão no posicionamento, porque a resina ativa com calor alto e não permite reposicionamento depois do contato. Em produção contínua, a primeira via é a mais repetida: menos retrabalho e menos perda de canto em rolo.
Aba curva (curved ou bill): o que a gramatura faz na viseira
A viseira, chamada de bill no padrão curved, é a aba plástica injetada que dá a curva característica do boné. Ela chega de fábrica com rigidez de 19,6 kg no modelo curva padrão e de 20 kg nas versões mais firmes, e é inserida entre as camadas de tecido antes do pesponto da viseira. A entretela de memória não substitui a aba — ela trabalha ao lado dela, estruturando o painel que se apoia sobre a base da viseira.
Na montagem curved, a gramatura escolhida para a frente determina como o painel encontra a aba. Com entretela de 285 g, a transição entre frente e viseira fica contínua e a curva aparece sem degrau. Com 330 g, o painel fica mais alto na base e a curva ganha apoio reforçado, o que é desejável em linha premium, desde que o pesponto respeite a folga de segurança: costure a pelo menos 3 mm da borda plástica, com agulha nº 16 ou 18, para não romper a aba nem quebrar a agulha dentro da viseira.
Em aba reta e em modelos bucket, a lógica muda de lugar: quem sustenta a forma é o painel, então a gramatura sobe um degrau na frente e a aba entra em segundo plano. O pilar de aviamentos para bonés detalha a diferença entre curva, reta e semi-curva e o que cada uma pede de rigidez; combine essa leitura com a tabela de gramaturas deste artigo antes de fechar o molde.
Bordado pesado x bordado leve no painel frontal
A densidade do bordado é o segundo critério que decide a gramatura, ao lado da estrutura do painel. A mesma lógica usada na escolha de entretela para bordado se aplica aqui com um agravante: no boné a base é permanente, então um erro de gramatura não é corrigido depois do ponto — ele fica na peça até o fim. Bordado leve, com ponto aberto e área de cobertura baixa, pede menos estrutura; bordado pesado, com preenchimento fechado e múltiplas passadas, pede gramatura alta para o tecido não ondular sob a agulha.
Como referência de faixa, pontos abertos e logos finos funcionam na região de 30 g a 50 g de estabilização equivalente; preenchimentos densos pedem de 60 g a 90 g; e bordado com espuma, o 3D clássico do painel frontal, recomenda 90 g ou mais de base mesmo em tecido leve. Traduzindo para a entretela de memória: bordado aberto convive bem com 220 g a 270 g, preenchimento denso pede 285 g a 290 g, e o bordado 3D com relevo vive na faixa de 330 g.
Um teste fecha a decisão sem margem para dúvida: faça o bordado de amostra na gramatura pretendida, confira o avesso do painel e puxe a peça pelas bordas. Se o ponto ficar plano dos dois lados e o painel voltar à forma original, a gramatura está certa; se aparecer franzido, suba um degrau; se o painel ficar duro ao ponto de resistir à costura de fechamento, desça um degrau. Em linhas com mais de um arquivo de bordado, vale calibrar a gramatura por arquivo e não por modelo — o mesmo boné pode pedir 270 g com logo fino e 330 g com preenchimento cheio.
Para entender a lógica de densidade por trás dessa decisão, o guia de tipos de entretela para bordado mostra como cada faixa de gramatura responde a ponto leve, ponto denso e bordado 3D em qualquer tecido.
220 g: boné leve, painel flexível e bordado aberto
A entretela de memória de 220 g é a entrada da faixa e a mais leve da linha termocolante. Ela entrega corpo sem rigidez extrema: o painel ganha espessura, deixa de ser transparente sob a luz e sustenta bordado de baixa densidade, mas continua flexível ao dobrar. É a escolha indicada para bonés promocionais, brindes, modelos de campanha e peças com ciclo de vida curto, em que o custo por peça pesa mais que a memória de forma prolongada.
Do lado técnico, 220 g também é a gramatura mais fácil de trabalhar: a resina penetra com menos tempo de prensa, o tecido aceita costura com menos tensão e a chance de rigidez excessiva na costura de fechamento é baixa. O limite aparece no uso: bonés que passam por lavagem frequente e exposição solar constante tendem a perder a forma mais cedo com 220 g do que com 285 g, porque a estrutura depende mais da tensão das costuras e menos do próprio painel.
A aplicação clássica dessa gramatura é o painel frontal de boné leve com logo de bordado aberto, e também o reforço de painéis internos que não precisam de forma rígida. Para esse perfil, a entretela de memória branca 220 g é a referência da linha, fornecida em rolo de 1,60 m x 100 m ou na metade, 0,30 m x 50 m, para quem está testando o modelo antes de fechar pedido de produção.
270 g e 285 g: a faixa padrão da produção de boné
Entre 270 g e 285 g está o coração da produção de boné. São as gramaturas que sustentam frente estruturada sem endurecer a costura, atendem ao bordado de densidade média a alta e convivem bem com os modelos de 6 painéis mais vendidos — o que explica por que elas concentram o maior volume de compra em rolo. Em termos práticos, 270 g é a escolha para linha intermediária e 285 g é o padrão de produção para boné estruturado.
A diferença entre as duas é pequena no rótulo e visível na peça. A 270 g, o painel tem corpo e memoriza a forma, mas ainda acompanha a tensão do bordado sem brigar com ele; a 285 g, o painel fica mais firme e a frente se mantém ereta por mais tempo depois de uso e lavagem. Quem produz mais de um modelo pode padronizar 270 g nos painéis com bordado aberto e reservar 285 g para os arquivos com preenchimento fechado, evitando trocar de rolo no meio de um lote único.
A cor nessas duas faixas segue a mesma regra do resto da linha: branca para tecido claro e médio, cinza para a maioria dos tecidos coloridos, porque não marca nem transparece no avesso. A entretela de memória branca de 270 g atende à linha intermediária e a entretela de memória cinza 285 g é a gramatura de referência para frente estruturada com bordado denso.
290 g e 330 g: alta estrutura, frente rígida e bordado denso
As gramaturas de topo da linha existem para um caso específico: boné cuja frente precisa manter a forma sem ajuda da tensão das costuras. A 290 g, disponível na versão preta, atende frente escura estruturada sem risco de resina clara transparecer no avesso; a 330 g, na versão cinza, entrega a máxima rigidez da linha e é a escolha para frente estruturada rígida, painel curvo reforçado e linha premium.
O uso dessas gramaturas cresce junto com a densidade do bordado. Preenchimento fechado, bordado de área grande e bordado 3D com espuma de relevo puxam o tecido para dentro durante o ponto, e somente uma base dessa faixa evita o franzido permanente. A troca tem um custo de produção que precisa ser dimensionado: a 330 g, a resina exige calor alto e pressão prolongada para penetrar o não tecido, o que aumenta o tempo de prensa por peça e exige agulha mais grossa no fechamento do painel.
O retorno aparece na durabilidade. Frente estruturada em 330 g mantém a curva depois de lavagens sucessivas e de uso diário, enquanto uma frente em 220 g do mesmo modelo começa a cair por volta do terceiro ou quarto ciclo de lavagem. Para esse perfil, a entretela de memória cinza 330 g é a referência de rigidez máxima e a entretela de memória preta 290 g cobre a linha escura sem marcar o avesso.
Entretela de memória sem cola (235 g e 250 g): quando ela é a escolha
A versão sem cola é o mesmo não tecido estruturado, com a diferença decisiva de não ter resina termofusível. Ela não é ativada por calor: entra na montagem como uma camada estruturante fixada por costura, pesponto ou forro, e pode ser removida ou substituída se a montagem mudar. Isso a torna a escolha certa em três situações — protótipo, linha com forro posterior e boné em que a rigidez precisa vir da costura e não da adesão.
A faixa sem cola existe em 235 g na versão branca e em 250 g na versão preta, o que cobre tecido claro e escuro sem risco de marca. Em termos de estrutura, 235 g sem cola entrega corpo equivalente ao de uma termocolante de gramatura ligeiramente inferior, porque a ausência de resina reduz um pouco a rigidez final da camada; 250 g, além de mais firme, é a escolha natural para painel escuro com fixação por costura. Ambas são regularmente usadas para forrar e estruturar bonés, função declarada para a entretela de memória branca 235 g sem cola.
A escolha pela versão sem cola ganha um motivo a mais quando a produção trabalha com amostras e customização: sem resina, a peça aceita desmanche parcial sem danificar o tecido, e o painel pode ser reforçado ou aliviado conforme o pedido do cliente. Para a linha escura, a entretela de memória sem cola preta 250 g cobre o mesmo uso com a vantagem de não transparecer no avesso do painel.
Termocolante x sem cola: comparativo lado a lado
A decisão entre as duas versões não é de qualidade, é de processo. A tabela abaixo compara os dois caminhos nos critérios que mudam o dia a dia da linha de produção, da prensa ao desmanche.
| Critério | Termocolante (220 g a 330 g) | Sem cola (235 g e 250 g) |
|---|---|---|
| Fixação | Resina ativada entre 130 °C e 160 °C, com prensa térmica ou ferro | Costura, pesponto ou forro |
| Tempo de ciclo | Exige calor alto e pressão prolongada para penetrar o TNT | Não exige etapa de prensa |
| Rigidez final | Alta, proporcional à gramatura | Média a média alta, depende da costura |
| Remoção | Permanente na peça | Removível se a montagem mudar |
| Melhor para | Produção contínua, frente estruturada, bordado pesado | Protótipo, amostra, linha com forro posterior |
| Custo de mão de obra | Menor em escala, uma etapa a menos de costura | Maior, soma a camada à etapa de costura |
| Cor disponíveis | Branca, cinza e preta | Branca e preta |
A leitura prática é que a termocolante ganha em escala e a sem cola ganha em flexibilidade. Linha fechada, com molde definitivo e volume recorrente, deve trabalhar com termocolante: menos uma etapa de costura por peça, adesão uniforme e resultado repetível lote a lote. Ateliê, amostraria e linhas com alta variação de acabamento devem trabalhar com sem cola, porque o custo extra de costura se paga na possibilidade de ajustar a estrutura sem perder o painel.
Aplicar 330 g em frente com bordado aberto e logo fino é o erro que mais gera retrabalho na linha de boné. A frente fica rígida demais, a costura de fechamento sai tensionada, o pesponto encontra resistência e o acabamento mostra relevo da entretela no direito do painel. O lote inteiro é afetado porque o defeito aparece depois da prensa, quando a resina já ativou e não há como recuar. Calibre a gramatura pela densidade do arquivo de bordado antes de liberar o corte.
Cor branca, cinza e preta: o que muda na aplicação
A cor da entretela de memória não é detalhe de catálogo: ela decide se o avesso do painel transparece no produto final. Branca é a referência para tecido claro e médio e para qualquer painel que receber forro; cinza atende a maioria dos tecidos coloridos sem deixar marca clara; preta é obrigatória em painel escuro sem forro completo, porque resina e base clara aparecem como mancha sob o tecido fino. No catálogo, branca cobre de 220 g a 285 g e a versão sem cola de 235 g, cinza vai de 285 g a 330 g e preta existe em 290 g termocolante e 250 g sem cola.
Em produção com mais de um tom na mesma coleção, a organização do estoque por cor evita o erro mais comum da bancada: aplicar a entretela errada no painel certo e descobrir o defeito na etapa de montagem. A recomendação é manter as três cores identificadas no rolo e separar a bancada de corte por tom de tecido, principalmente quando o mesmo molde roda em branca, cinza e preta na mesma semana. A categoria de entretela de memória reúne as três cores nas principais gramaturas, com subcategorias para entretela de memória branca, entretela de memória cinza e entretela de memória preta para compra direta por cor.
Como aplicar a entretela de memória no boné (passo a passo)
- Defina a gramatura: leia a tabela deste guia, cruze a estrutura da frente com a densidade do bordado e escolha entre 220 g, 270 g, 285 g, 290 g ou 330 g — ou entre 235 g e 250 g sem cola se a fixação for por costura.
- Corte o painel com margem: marque o molde da frente na chapa de tecido e corte a entretela no mesmo contorno, com 1 cm de folga nas bordas para evitar descobertura depois da prensa.
- Posicione a resina: coloque a face com resina termofusível voltada para o avesso do tecido, sem sobreposição e sem bolha de ar; em versão sem cola, alinhe a camada e prenda com alfinete de produção.
- Ative o calor: prensa térmica entre 130 °C e 160 °C, com calor alto e pressão prolongada, em torno de 12 a 15 segundos por área, para que a resina penetre no não tecido estruturado.
- Confira a adesão: abra a peça ainda morna e verifique se não há bolha nem borda descolada; se houver, repita a prensa na área, porque borda solta vira bolha depois da primeira lavagem.
- Corte e monte: recorte o painel já estruturado, costure os 6 painéis respeitando a folga de 3 mm da aba plástica e finalize com o viés de carneira de 55 mm nas costuras internas.
O tempo de prensa indicado é uma referência de faixa: TNT estruturado com resina exige mais calor do que termocolante de vestuário, e a variável que muda entre uma gramatura e outra é a pressão, não a temperatura. Peça-piloto é obrigatório em qualquer troca de gramatura: faça uma peça completa, lave e confira a forma antes de liberar o lote. Para detalhes de temperatura, tempo e erros de adesão em qualquer tecido, veja o artigo sobre como aplicar entretela termocolante.
Consumo por peça e dimensionamento do rolo para produção
A entretela de memória é vendida em dois formatos: rolo de 1,60 m x 100 m, que soma 160 m², e a metade de 0,30 m x 50 m, com 15 m², indicada para amostra e produção pequena. Para dimensionar a compra, meça a área do molde da frente com margem de recorte, multiplique pelo número de peças e acrescente 10% de margem de erro — a mesma regra usada para dimensionar entretela em produção de bordado.
Um exemplo fecha a conta: se o molde da frente com margem ocupa 200 cm², cada boné consome 200 cm² de entretela. Em 1.000 peças, isso dá 20 m², ou 22 m² com a margem de 10% — volume que cabe com folga no rolo de 1,60 m x 100 m (160 m²) e que não cabe no rolo de 0,30 m x 50 m (15 m²). Para o mesmo molde, o rolo grande cobre cerca de 7.200 peças, o que permite rodar uma coleção inteira sem parada de corte no meio do lote.
Três pontos de estoque merecem atenção. Primeiro, a gramatura errada no rótulo é o erro de estoque mais caro: confundir 270 g com 285 g no fechamento do pedido obriga a refazer o lote. Segundo, compre sempre com a margem de 10%: recorte em curva, sobreposição de moldes e peça-piloto consomem material que ninguém contabiliza no primeiro dimensionamento. Terceiro, guarde os rolos em local seco e longe do sol, com a gramatura e a cor identificadas — umidade e luz direta degradam a resina termofusível e reduzem a adesão mesmo antes da prensa.
Padronize 285 g cinza como gramatura base da coleção e tenha 220 g branca e 330 g cinza apenas como exceções de modelo. Uma gramatura-base reduz troca de rolo no meio do lote, unifica o tempo de prensa da linha e deixa a decisão de gramatura para o único caso em que ela realmente muda: bordado denso ou frente de alta estrutura.
Como testar a gramatura antes de fechar a produção
Nenhuma gramatura deve entrar em lote sem peça-piloto. O teste leva poucos minutos e evita a perda de um corte inteiro: pressione a chapa estruturada, monte um painel completo, faça o bordado do arquivo principal, lave a peça uma vez e confira a forma sobre a mesa. Três resultados indicam a decisão — painel que volta à forma com o ponto plano dos dois lados, painel que franze sob o bordado e painel que resiste à costura de fechamento.
Interpretar os três sinais é direto. Franzido significa gramatura baixa para a densidade do ponto: suba um degrau, de 270 g para 285 g ou de 285 g para 330 g. Rigidez excessiva na costura significa gramatura alta para o molde: desça um degrau. Bordado plano e painel com forma significa gramatura certa — registre a gramatura, a cor e o tempo de prensa usados e trave essa receita como padrão do modelo.
Vale testar também a adesão depois da lavagem. Peça bem prensada mantém a resina distribuída por igual e não forma bolha no terceiro ciclo; peça com pressão insuficiente solta a borda do painel e aparece com relevo no direito. Em produção contínua, repita o teste sempre que trocar de lote do mesmo fornecedor, porque a distribuição de resina varia entre fabricações e é a variável que mais muda o resultado com a mesma gramatura declarada.
Perguntas frequentes sobre gramatura de entretela de memória para boné
Para a maioria dos bonés de 6 painéis com frente estruturada, 285 g é a gramatura padrão: sustenta o painel sem endurecer a costura. Boné leve e bordado aberto pedem 220 g; linha intermediária, 270 g; bordado denso e frente rígida, 290 g ou 330 g. Se a fixação for por costura, use a versão sem cola de 235 g ou 250 g.
Serve, e é a entrada da linha: dá corpo ao painel, evita transparência e sustenta bordado de baixa densidade. O limite é a durabilidade da forma — boné com uso intenso e lavagem frequente tende a perder a estrutura antes do que um painel em 285 g. É a escolha certa para brinde, campanha e modelo com ciclo curto.
A entretela comum para bordado vai de 20 g a 60 g e estabiliza o tecido durante o ponto; a de memória começa em 220 g e é permanente, feita para estruturar. Elas não se substituem: a comum em frente de boné deixa o painel mole e a de memória em camiseta deixa a peça rígida. A de memória é chamada de cavalinho.
Precisa de costura ou pesponto: sem resina termofusível, ela entra como camada estruturante presa pelo forro ou pela própria montagem do painel. A vantagem é a remoção — dá para ajustar ou substituir a camada sem danificar o tecido. As versões 235 g branca e 250 g preta cobrem tecido claro e escuro.
Ative entre 130 °C e 160 °C, com calor alto e pressão prolongada, em torno de 12 a 15 segundos por área, com a face da resina voltada para o avesso do tecido. O TNT estruturado exige mais tempo do que termocolante comum. Confira a adesão ainda morna e repita a prensa em qualquer borda que levantar.
É a gramatura padrão para frente estruturada em boné de 6 painéis com bordado frontal de densidade média a alta. Sustenta a forma sem tensionar a costura de fechamento, convive bem com aba curva de 19,6 kg e é a faixa mais usada em produção contínua. Na linha escura, a versão cinza evita marca no avesso.
Depende da gramatura em relação ao molde: se ela estiver alta demais, o boné fica duro. Sinais: costura de fechamento tensionada, relevo da entretela visível no direito do painel e agulha com resistência no pesponto. A correção é descer um degrau, de 330 g para 285 g ou de 285 g para 270 g, e refazer a peça-piloto antes de liberar o corte.
Meça a área do molde da frente com margem e multiplique pelo número de peças, somando 10% de margem de recorte. Exemplo: molde de 200 cm² dá 20 m² em 1.000 peças, ou 22 m² com a margem — cabe no rolo de 1,60 m x 100 m, de 160 m², e não cabe no rolo de 0,30 m x 50 m, de 15 m².
Na categoria de entretela de memória da Lola Aviamentos estão as linhas termocolante de 220 g a 330 g e as versões sem cola de 235 g e 250 g, nas cores branca, cinza e preta, em rolo de 1,60 m x 100 m e em metade de 0,30 m x 50 m.
Por onde continuar no cluster de entretela de memória
A escolha entre 220 g e 330 g é a decisão que abre a produção de boné; as próximas leituras fecham o restante do processo — da estrutura completa da peça ao dimensionamento dos demais insumos. Estas são as 5 referências do cluster para seguir a partir deste guia.
- Entretela de Memória: Guia Completo — o pilar do cluster com aplicações, cores, temperaturas e cuidados da entretela cavalinho.
- Aviamentos para Confecção: Guia Completo de Insumos para Boné — aba plástica, tela de poliéster, viés, fita dupla face, suede e regulador com as especificações de cada um.
- Tipos de Entretela para Bordado — como a densidade de ponto define a base de bordado em qualquer tecido.
- Como Aplicar Entretela Termocolante — temperatura, tempo de pressão e os erros que descolam a resina na lavagem.
- Entretela de Memória — a categoria com as gramaturas de 220 g a 330 g e as versões sem cola.
Escolheu a gramatura? a entretela de memória cinza 285 g é a faixa padrão de produção para boné estruturado, em rolo de 1,60 m x 100 m com gramatura declarada.
Ver entretela de memória 285g