Resposta rápida

A gramatura da entretela é o peso do material em g/m² e define quanta rigidez a base entrega no tecido. De 20 g a 40 g para tecido fino e bordado leve; de 50 g a 60 g para camiseta, polo e pano de prato; de 70 g a 90 g para uniforme, malha e bordado denso. Use sempre a menor gramatura que segure o ponto sem endurecer a peça.

Gramatura de entretela

Gramatura de entretela é a massa do material por metro quadrado, expressa em g/m², e mede a espessura e a rigidez de uma base de bordado. Um não tecido de 20 g/m² mal adiciona corpo ao tecido; um de 90 g/m² sustenta preenchimento fechado sem deixar o ponto afundar. A gramatura não indica qualidade nem tipo — rasgável, termocolante e hidrossolúvel existem nas mesmas faixas — e sim quanto de suporte a agulha vai receber durante o bordado.

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Qual é a gramatura de entretela e por que ela decide o resultado do bordado?

A gramatura é o único número escrito na embalagem de toda entretela, e é também o mais ignorado na bancada. Ela aparece como 20 g, 40 g, 70 g e significa grama por metro quadrado: quanto mais alto o número, mais material existe naquele metro de não tecido e mais rigidez ele devolve ao tecido durante o bordado. Em outras palavras, a gramatura é o que transforma um tecido maleável numa superfície capaz de aguentar a agulha entrar e sair milhares de vezes na mesma área sem puxar a trama.

É por isso que a escolha errada aparece sempre no mesmo lugar: no avesso da peça. Com gramatura baixa demais, o ponto afunda, o tecido franza e o desenho sai com reentrância no contorno. Com gramatura alta demais, a camiseta fica dura no peito, o caimento some e o bordado parece colado num papel. Nenhum dos dois defeitos é problema de máquina, de arquivo ou de agulha — os três são problema de base.

O termo também varia conforme o fornecedor: você encontra rótulo de "gramatura", "peso" ou "espessura" para o mesmo dado de g/m². E o mercado brasileiro de busca por entretela para bordado soma 2.400 consultas por mês justamente porque essa decisão é recorrente em todo ateliê, de quem borda 10 camisetas por semana a quem fecha lotes de mil peças.

Para entender o número dentro do contexto dos estabilizadores, veja o guia de tipos de entretela para bordado, que explica quando cada tipo entra e como a gramatura se combina com a remoção.

Como ler a tabela de gramaturas de 20 g a 90 g?

A tabela abaixo é a referência central deste guia: cada linha liga gramatura, espessura, rigidez, tipo de peça, tipo de bordado e a aplicação em que aquela faixa entrega melhor resultado. Ela cobre de 20 g a 90 g, que é a faixa real das entretelas para bordado de vestuário — acima disso, você já está fora do território do ponto e dentro da estrutura de boné e alfaiataria.

GramaturaEspessura e rigidezTipo de peçaTipo de bordadoRecomendada para
20 gMuito fina, quase sem rigidezTule, renda, lenço, seda leveMonograma, contorno, ponto abertoBordado delicado em tecido transparente, onde qualquer marca de base aparece pelo direito
30 gFina e flexívelCamiseta penteada, malha fina, baby look, camisa leveLogo pequeno, texto curto, bordado de baixa densidadePeça de toque macio que não pode endurecer, como infantil e íntimo
40 gMédia-fina, com leve corpoCamiseta padrão, polo, uniforme leve, aventalBordado de densidade média, preenchimento parcialLinha de produção de vestuário — é a gramatura mais versátil e a que mais sai no Brasil
50 gMédia, com corpo declaradoPeça encorpada, polo pesado, lençol, manta finaPreenchimento médio, bordado com sombreamentoPeça que precisa de estrutura sem perder caimento
60 gEncorpada e firmeCamiseta pesada, pano de prato, avental grosso, moletomBordado denso, fill fechado, bordado sobre malhaBordado computadorizado em algodão encorpado e uniforme de trabalho
70 gRígida, alta sustentaçãoUniforme, malha poliéster, toalha, polo de tricôBordado denso de alta cobertura, costura pesadaPeça elástica ou felpuda que puxa o ponto sem reforço extra
90 gMuito rígida, sustentação máximaPeça estrutural, patchwork, base de bordado 3D, abaBordado 3D, alta densidade, pesponto altoRelevo com espuma, bordado sobre filme e situações em que nada pode ceder

Duas leituras práticas saem dessa tabela. A primeira: 40 g é o ponto de equilíbrio da maioria das linhas de produção, porque resolve camiseta, polo e uniforme com folga. A segunda: de 20 g a 90 g o salto é de 4,5 vezes em peso, e essa diferença é exatamente o que separa um bordado sobre tule de um bordado 3D sobre aba.

Repare também que a faixa não é contínua nos catálogos: 20 g existe principalmente como Entretela Termocolante Toque Macio 20g Lepoc-20, enquanto 90 g existe como Entretela Rasgável 90g Lec-90 — os dois extremos da tabela só se encontram quando você mistura os dois tipos de remoção na mesma peça.

Qual gramatura de entretela usar em camiseta e polo?

Para camiseta de algodão, a referência de produção é a rasgável de 60 g a 70 g: é a faixa que segura o ponto em malha sem deixar o peito duro. Em camiseta penteada fina, desça para 30 g ou 40 g; em camiseta pesada de algodão encorpado, 60 g já resolve. A polo pede um tratamento um pouco diferente porque o piquê é mais aberto e mais elástico do que a malha canelada: entre 50 g e 60 g cobre a maioria dos casos, e 70 g entra quando o bordado ocupa toda a frente.

O motivo técnico é simples: a malha abre a cada perfuração da agulha e fecha de novo puxada pela própria estrutura do fio. Sem base firme, o desenho sai enrugado nas bordas mesmo com bastidor bem tensionado. A entretela de 60 g a 70 g funciona como contrapeso: ela não acompanha a distensão da malha e mantém o desenho plano.

Se o bordado da camiseta for denso — fill fechado, monograma grande, 10 x 10 cm com alta cobertura —, suba para 70 g ou dobre duas camadas de 40 g. Se for leve — nome curto, logo de 4 cm, ponto aberto —, 40 g costuma ser suficiente e devolve mais toque à peça. A linha de entretela rasgável para bordado cobre os pesos intermediários, e a rasgável 70 g Lec-70 é a escolha padrão de quem borda uniforme o dia inteiro.

Duas observações que evitam retrabalho: em camiseta 100% poliéster, prefira sempre a gramatura mais alta da faixa, porque o fio sintético escorrega mais sob a agulha; e em infantil, crie o hábito de tocar a peça depois de bordada — se você sentir a base pelo direito, a gramatura subiu demais.

Qual gramatura de entretela usar em pano de prato e toalha?

Pano de prato e toalha são os dois casos em que a gramatura da base convive com uma superfície felpuda, e isso muda completamente a conta. No pano de prato de algodão encorpado, 60 g a 70 g de rasgável resolve sozinha: a trama é fechada, o tecido não estica e o ponto encontra apoio firme. Já na toalha, a felpa isola o ponto por baixo, e mesmo uma base de 70 g não impede que o ponteiro afunde entre os fios.

A solução clássica para toalha é a combinação em sanduíche: uma camada fina de rasgável de 30 g ou 40 g por baixo, para dar estrutura geral, e uma camada de filme hidrossolúvel de 40 g por cima do felpado, que trava a superfície exatamente onde a agulha entra e depois dissolve na lavagem. É a mesma lógica que o pilar do cluster descreve para o bordado sobre felpa, e a gramatura de topo ali não precisa ser alta — ela precisa estar no lugar certo.

Em pano de prato com bordado de nome e borda decorativa, 60 g entrega firmeza sem engessar o tecido, que precisa continuar flexível para dobrar. Se o padrão incluir galão ou aplicação de borda, suba para 70 g apenas na área do bastidor, não na peça inteira: usar uma base maior que o desenho em 3 a 4 cm de cada lado já garante estabilidade onde ela é necessária.

Números úteis para dimensionar: uma toalha com bordado de 10 x 10 cm consome cerca de 100 cm² de base por peça, então 100 peças pedem pouco mais de 1 m² de entretela, mais 10% de margem de corte. E como o molho posterior é inevitável, valide sempre a peça com uma lavagem a 30 a 40 °C antes de liberar o lote.

Qual gramatura de entretela para lenço, tule e tecido delicado?

Lenço, tule, renda e seda pedem o extremo oposto da camiseta: 20 g a 30 g, ou nenhum tecido de reforço no sentido convencional. Nesses materiais, qualquer gramatura acima de 40 g deixa uma marca visível no direito — a base empurra o tecido para fora e cria um contorno rígido ao redor do bordado. Com 20 g, o estabilizador praticamente desaparece e o bordado continua com o caimento natural do tecido.

Em tule e renda, a recomendação é trabalhar com a base fina tensionada no bastidor e, quando o ponto for denso, acrescentar um filme hidrossolúvel de 40 g por cima. A combinação 20 g embaixo + 40 g em cima resolve casos em que uma única camada falha: a fina dá estrutura ao tecido, a de topo impede o agulhamento de puxar o fio. O passo a passo completo dessa técnica está no guia de como usar filme hidrossolúvel no bordado.

Para lenço de seda ou viscose, o cuidado extra é térmico: se você optar pela via termocolante, use a Entretela Termocolante Toque Macio 20g Lepoc-20 com temperatura baixa, entre 110 e 120 °C, e pano de proteção duplo. Tecido muito sensível pode simplesmente não aceitar cola — nesse caso, a base solta no bastidor é a saída mais segura.

Regra de bolso para essa faixa: se o tecido deixa passar luz quando você olha contra a janela, a entreta não pode passar de 30 g. É um teste de 2 segundos que evita refazer a peça inteira.

Qual gramatura de entretela para boné e viseira?

Boné é onde a tabela de 20 g a 90 g chega ao limite e precisa de uma linha própria. A estrutura de fronteira, aba e cavilho usa entretela de memória — o chamado cavalinho — de 220 g a 330 g, um patamar totalmente diferente porque ali o objetivo não é estabilizar o ponto, é criar a peça: a forma do boné vem do material, não do tecido.

Já o bordado aplicado sobre o corpo do boné (painel frontal, painel lateral, costura traseira) segue outra conta. A malha do boné é firme e pouco elástica, então 70 g a 90 g de rasgável bastam para sustentar o ponto sem criar volume extra. Usar entretela de memória no corpo inteiro do boné enrijece o painel e deforma o caimento; usar 40 g no bordado denso da viseira deixa o ponteiro afundar na borda curva.

Na aplicação térmica, a entretela de memória exige calor alto, em torno de 150 °C, e pressão prolongada de 12 a 15 segundos por área, porque a resina precisa atravessar um TNT espesso. É um protocolo diferente do vestuário, que trabalha entre 130 e 150 °C por 10 a 15 segundos — a diferença está na espessura que o calor precisa atravessar, não na técnica.

Para ver o conjunto de insumos do boné, o guia de aviamentos para confecção e bonés cobre aba, tela, viés e regulador — a estrutura vai de 220 g a 330 g, bem acima da faixa de ponto.

Qual gramatura de entretela para alfaiataria?

Alfaiataria é o outro caso em que a faixa de bordado não serve. Colarinho, punho, vista, ombro e baixa de paletó pedem de 80 g a 120 g de entretela termocolante ou de tecelagem, porque a função ali é permanente: a base fica na peça para sempre e precisa dar corpo sem engessar. Uma entretela de 40 g desaparece no colarinho na primeira semana; uma de 140 g deixa o gola dura e impede o vinco natural.

Os tipos de entretela de alfaiataria que aparecem com gramatura declarada incluem a malha termocolante de 40 g e 60 g para peças de caimento macio, e a TNT de micro ponto de 40 g e 70 g para reforço de costura e vista. Já para bordado sobre peça alfaiata — monograma em camisa, iniciais em blazer —, a conta volta para a tabela principal: 40 g a 60 g na maior parte dos casos, porque ali você está estabilizando um ponto, não estruturando uma gola.

A distinção merece ser dita de forma direta: gramatura de alfaiataria e gramatura de bordado respondem a perguntas diferentes. A primeira pergunta é "quanto corpo esta peça precisa manter depois de 30 lavagens?"; a segunda é "quanto apoio a agulha precisa durante 40 segundos de bordado?". Misturar as duas respostas é o erro mais comum de quem atende os dois tipos de serviço na mesma bancada.

Se a sua produção mistura os dois, mantenha os rolos separados por faixa e identifique cada suporte com o número de g/m²: categoria de entretelas e filmes para bordado para a faixa de 20 g a 90 g e categoria de entretela para alfaiataria para a faixa de 80 g a 120 g.

Tabela rápida: qual gramatura usar em cada material

A segunda tabela deste guia inverte a leitura: em vez de partir da gramatura, ela parte do material que está na bancada. Use-a como consulta rápida quando o pedido já chegou e você precisa definir o insumo em menos de um minuto.

Material / peçaGramatura indicadaTipo de entretelaObservação
Camiseta de algodão60 g a 70 gRasgávelPadrão de produção; 40 g só para bordado leve de baixa densidade
Polo de piquê50 g a 60 gRasgável ou toque macioSuba para 70 g se o bordado cobrir a frente inteira
Pano de prato60 g a 70 gRasgávelMantém a flexibilidade para dobrar; evite acima de 90 g
Lenço, tule e renda20 g a 30 gTermocolante fina ou base soltaSome com a peça; nunca acima de 40 g em tecido transparente
Boné (corpo e painel)70 g a 90 gRasgávelA estrutura de aba e cavilho usa entretela de memória de 220 g a 330 g
Alfaiataria80 g a 120 gTermocolante ou de tecelagemFora da faixa de bordado; permanente e corporativa
Toalha felpuda30 g a 40 g por baixo + 40 g de filme por cimaRasgável + hidrossolúvelSanduíche: base dá estrutura, filme trava a felpa
Bordado 3D90 g de base + estabilizador de topoRasgável pesadaAguenta pesponto alto e espuma sem ceder

O padrão que salta dessa segunda leitura é que a camiseta fica no meio da faixa, o lenço na base e a alfaiataria acima dela. Boné é o único caso que aparece duas vezes na tabela, porque um boné é duas peças: corpo que recebe ponto e estrutura que sustenta a forma.

Como escolher a gramatura certa em 6 passos?

O fluxo abaixo é o mesmo que resolve 90% das dúvidas de gramatura em até 5 minutos. Ele parte do tecido e não do bordado — porque é o tecido que define quanto apoio a agulha vai precisar.

  1. Identifique o tecido. Toque na peça, estique um canto de 5 cm e observe a elasticidade e o peso: fino e transparente (20 g a 30 g), médio de malha (40 g a 60 g), encorpado ou elástico (70 g a 90 g).
  2. Meça a densidade do bordado. Abra o arquivo e verifique a cobertura: ponto aberto ou texto curto pede menos base; fill fechado, sombreamento e peças de 10 x 10 cm pedem mais uma faixa acima.
  3. Defina a remoção. Rasgável sai à mão e é a mais econômica para algodão; hidrossolúvel dissolve em água e resolve felpa, tule e avesso visível; termocolante cola antes e acelera produção em bastidor manual.
  4. Escolha a faixa de gramatura. Parta do número do passo 1 e ajuste pelo passo 2: leve (20 g a 40 g), média (50 g a 60 g), pesada (70 g a 90 g).
  5. Borde duas amostras. Produza a mesma peça com a gramatura escolhida e com uma faixa acima, sempre no mesmo bastidor e com o mesmo arquivo, para comparar lado a lado.
  6. Valide e registre. Faça lavagem teste a 30 a 40 °C, confira o avesso contra a luz, toque a peça e anote a combinação tecido + gramatura + tipo numa ficha por produto.

Se o passo 5 ficar empatado, escolha a menor: entretela mais pesada do que o necessário é o que deixa a peça dura e aparece pelo direito depois da lavagem. E se o passo 2 apontar para bordado denso em tecido fino, não tente resolver só subindo a gramatura — uma base de 90 g em camiseta fina troca um defeito por outro. O caminho é dobrar duas camadas de 40 g ou somar uma camada de topo hidrossolúvel.

O que acontece quando a gramatura está errada?

Gramatura errada = ponteiro afundando e comendo ponto

Quando a base é fina demais para a densidade do arquivo, o ponteiro atravessa o tecido e afunda o ponto: nasce o show-through, o desenho que aparece deformado pelo avesso. O sintoma avança rápido — em bordado denso, o ponto passa a "comer" a trama, a borda do desenho sai mordida e, depois da primeira lavagem, a área afundada fica permanentemente visível. Não é agulha torta nem arquivo ruim: é gramatura insuficiente. Interrompa a produção, troque para a faixa acima (ou dobre a camada) e refaça a amostra antes de seguir o lote.

O erro inverso é igualmente caro e mais silencioso. Entretela pesada demais não avisa na hora do bordado: ela passa no bastidor, o ponto sai redondo e só na entrega a peça revela o problema — rigidez no peito, contorno do desenho aparecendo como um carimbo, caimento travado. Em camiseta, a diferença entre 60 g e 90 g é suficiente para transformar uma peça confortável num cartão.

Existem ainda três sintomas intermediários que denunciam gramatura fora de faixa. O franzido nas bordas do desenho indica base leve para a elasticidade do tecido. O ponto solto no preenchimento indica que a base não estava firme o bastante para segurar a tensão de retorno do fio. E o acúmulo de fiapos no avesso da rasgável indica que a base era grossa demais para ser removida rente ao ponto sem deixar resíduo.

O diagnóstico leva 30 segundos: pare a máquina, tire a peça do bastidor e olhe o avesso contra uma janela. Se o desenho está marcado no tecido, gramatura baixa; se a base aparece como um retângulo rígido ao redor do ponto, gramatura alta. E registre a correção na ficha do produto: anotar tecido, gramatura, tipo de entretela e densidade do arquivo evita que o mesmo erro volte no lote seguinte.

Qual a diferença entre gramatura, espessura e rigidez?

Os três termos aparecem juntos nos catálogos e não são sinônimos. Gramatura é peso por área, medida em g/m², e é o único deles que aparece impresso na embalagem. Espessura é a distância entre as faces do material, medida em micrômetros, e depende da fibra usada: dois não tecidos de 40 g podem ter espessuras diferentes se um for feito de fibra mais volumosa. Rigidez é a resistência ao dobramento, e é o que você sente quando dobra um canto da entretela entre os dedos.

Na prática de bancada, gramatura é a variável de controle porque é padronizável, comparável entre fornecedores e declarada em cada bobina. Espessura e rigidez variam dentro da mesma gramatura conforme a marca e a composição da fibra — por isso duas entretelas de 60 g de marcas diferentes podem comportar-se de forma distinta no mesmo bordado.

Existe ainda uma quarta variável que muitas vezes muda o jogo e não está impressa em lugar nenhum: o toque. Entretelas de toque macio, como as linhas Lef e Lepo, entregam rigidez reduzida na mesma gramatura, feitas para vestuário em contato com a pele. Uma Lef-60 de 60 g não deixa a camiseta dura como uma rasgável estrutural de 60 g, porque a fibra foi escolhida para flexibilidade. A Entretela Rasgável Toque Macio 60g Lef-60 é o exemplo dessa categoria.

Resumindo em uma frase: gramatura diz quanto material existe, espessura diz quanto espaço ele ocupa e rigidez diz quanto ele resiste ao movimento. Para escolher a base de bordado, comece sempre pela gramatura e use as outras duas como conferência.

Rasgável, termocolante ou hidrossolúvel: a gramatura muda a escolha?

A gramatura e o tipo de remoção são decisões independentes, e é justamente por isso que as linhas se cruzam nos catálogos: você encontra rasgável de 30 g, 40 g, 50 g, 70 g e 90 g, e termocolante de 20 g, 30 g, 40 g, 50 g e 60 g. Ou seja, a mesma faixa de peso existe nos dois sistemas de fixação, e a escolha entre eles depende de outro fator — se a base deve sair da peça ou ficar nela.

A rasgável é descartável: sai à mão depois do bordado, não pesa na peça final e é a opção mais econômica para produção recorrente de algodão e uniforme. A termocolante é permanente: cola no avesso antes do ponto, dispensa alinhavo e dá estabilidade contínua, mas deixa o material dentro da peça — por isso ela não passa de 60 g em vestuário. A hidrossolúvel dissolve em água e é escolhida quando nenhum resíduo pode sobrar, como toalha, tule e avesso visível.

A tabela a seguir mostra como a mesma gramatura se comporta nos três formatos.

GramaturaRasgável (descartável)Termocolante (permanente)Hidrossolúvel (dissolve em água)
20 gNão encontrada nesta faixaFina extrema: tule, seda, rendaFilme de topo para ponto delicado
30 gBordado leve, camiseta penteadaCamisa leve, tecido finoBase fina em sanduíche de toalha
40 gPadrão de produção, polo, uniforme levePadrão de patchwork e bordado médioFilme padrão de 40 g para felpa
50 gPeça encorpada, bordado com corpoPeça média, aplicação estruturalTopo em bordado denso sobre felpa
60 gCamiseta pesada, pano de pratoLimite alto de vestuário e patchworkRaramente usada nesta faixa
70 gUniforme, malha poliéster, toalhaFora da faixa comum de termocolanteNão aplicável
90 gBordado 3D, base estruturalNão existe nesta faixaNão aplicável

Duas conclusões saem daí. Primeira: se você precisa de 70 g ou 90 g, a opção termocolante sai de cena — nessa faixa só existe descartável, e a colagem deve ser feita por outro meio, se for necessária. Segunda: se a peça exige que nada fique dentro dela, o teto real é 60 g. O detalhamento de cada sistema de remoção está no comparativo de entretela rasgável versus hidrossolúvel, e a aplicação térmica passo a passo está no guia de como aplicar entretela termocolante.

Como a densidade do ponto do bordado muda a gramatura necessária?

A mesma camiseta de algodão pede bases diferentes conforme o arquivo. Bordado com ponto aberto, contorno e texto curto aplica poucas travessias de fio por cm² e exige pouco da base: 40 g costuma bastar. Preenchimento fechado, sombreamento e monograma com cobertura alta multiplicam as entradas de agulha na mesma área e empurram a necessidade para 60 g ou 70 g. Bordado 3D, com pesponto alto sobre espuma, chega aos 90 g mesmo em tecido leve.

A relação é física: cada perfuração afrouxa localmente a trama do tecido, e a base é o que devolve firmez entre uma perfuração e outra. Quanto mais pontos por centímetro, mais vezes a trama é aberta no mesmo lugar, e mais rígida precisa ser a fundação. Em termos de volume, um ponto de preenchimento denso pode entrar entre 2.000 e 8.000 vezes por minuto na mesma área de alguns milímetros — nesse ritmo, uma base de 30 g não tem como acompanhar.

Use esta referência para calibrar o teste:

  • Ponto aberto, contorno, texto curto: 10 a 20 pontos por cm² — 30 g a 40 g resolve.
  • Densidade média, logo com preenchimento parcial: 25 a 40 pontos por cm² — 40 g a 60 g.
  • Fill fechado e sombreamento: 45 a 60 pontos por cm² — 60 g a 70 g.
  • Alta densidade, bordado 3D, pesponto sobre espuma: acima de 60 pontos por cm² — 70 g a 90 g, com topo.

Essa gradação vale para qualquer tipo de remoção: subir a densidade do arquivo sem subir a gramatura é a receita mais rápida para perder um lote inteiro. E o contrário também funciona — se o arquivo tem 4 camadas de preenchimento e você não pode trocar a base, reduzir para 3 camadas em teste costuma liberar uma gramatura mais leve sem perda visível no resultado.

Como montar o estoque de gramaturas da sua produção?

Atalho de produção | 3 gramaturas cobrem 80% do pedido

Em vez de comprar a linha inteira de 20 g a 90 g, mantenha três rolos em giro: 40 g para bordado leve e peça fina, 60 g para o meio de campo e 70 g para peça elástica, felpada e bordado denso. É o conjunto que atende camiseta, polo, pano de prato, uniforme e toalha sem trocar de método, e cada gramatura acima disso só entra quando um pedido real justificar o rolo parado.

A lógica de estoque segue a mesma pirâmide da tabela: quanto mais perto do centro da faixa, mais giro o rolo tem. A 40 g é a que mais gira porque é a mais versátil; a 60 g e a 70 g cobrem as peças encorpadas e as situações de alta densidade; as extremas — 20 g, 30 g e 90 g — só se pagam quando o serviço de tule ou de bordado 3D é recorrente.

Três práticas deixam esse estoque mais eficiente. A primeira é rotacionar pelo princípio de quem entra primeiro, sai primeiro, porque a resina termocolante perde aderência com umidade e tempo. A segunda é identificar cada suporte com gramatura e tipo visíveis da bancada: procurar a bobina certa a cada peça custa tempo que não volta. A terceira é manter 1 rolo reserva de cada gramatura em giro — faltar base no meio do lote obriga a trocar de gramatura e invalida a peça-piloto já aprovada.

Para dimensionar a compra, multiplique a área média do bordado pela quantidade de peças e acrescente 10% de margem de corte. Camiseta com bordado de 10 x 10 cm consome cerca de 100 cm² por peça: 1.000 peças pedem em torno de 11 m², e comprar em rolo de 90 cm sai muito mais em conta do que comprar a mesma metragem em chapas. O passo a passo de aplicação para as gramaturas termocolantes está no guia de como aplicar entretela termocolante, e a linha completa de pesos está na categoria de entretelas e filmes para bordado.

Quanto custa errar a gramatura em produção em escala?

A entretela é um dos itens mais baratos do custo de peça e, mesmo assim, é uma das maiores fontes de retrabalho. A conta é assimétrica: gramatura acima do necessário desperdiça material em todas as peças; gramatura abaixo do necessário estraga peças que já consumiram fio, tempo de máquina e mão de obra. E peça defeituosa custa muito mais caro que os gramas que faltaram.

Em lote de 1.000 camisetas, uma diferença de 10 g entre a gramatura usada e a ideal não é detalhe de custo — ela aparece no peso total comprado e no comportamento da peça depois da lavagem. Mas o prejuízo maior vem do outro lado: um lote inteiro de 500 peças com base fina demais obriga a refazer o serviço ou a aceitar desconto, e a segunda passada de agulha sobre ponto já bordado raramente entrega o mesmo acabamento.

Por isso, o protocolo que separa produção profissional de produção amadora é curto e custa minutos. Peça-piloto por lote, com a mesma gramatura, o mesmo arquivo e o mesmo bastidor da linha; conferência do avesso contra a luz; uma lavagem teste a 30 a 40 °C; e só então liberação. Três peças aprovadas em 100 já valem o teste — o que não se pode é descobrir o erro no lote fechado.

Se a sua linha produz mais de 200 peças por dia, vale fixar em 1 linha do controle interno a combinação aprovada para cada produto: tecido, gramatura, tipo de entretela e densidade do arquivo. Essa ficha elimina a recriação do protocolo a cada operador e faz com que o resultado de segunda-feira seja o mesmo de sexta-feira, independente de quem estiver na bancada.

Perguntas frequentes sobre gramaturas de entretela

Qual gramatura de entretela usar para camiseta de algodão?

A referência é a rasgável de 60 g a 70 g, que segura o ponto em malha sem endurecer a peça. Em camiseta penteada fina, desça para 30 g ou 40 g; em camiseta de algodão encorpado com bordado denso, 70 g resolve sozinha. Sempre faça uma amostra com duas gramaturas antes de fechar o lote.

Qual gramatura de entretela para polo de piquê?

Entre 50 g e 60 g cobre a maioria das polos, porque o piquê é aberto e elástico e pede mais apoio que a malha canelada. Se o bordado cobrir a frente inteira, suba para 70 g. Em polo fino com logo pequeno, 40 g já é suficiente e preserva o toque.

Entretela de 40 g ou 60 g para bordado, qual usar?

Use 40 g quando o tecido é fino ou médio e o bordado tem ponto aberto ou densidade baixa. Use 60 g quando o tecido é encorpado, a peça é elástica ou o arquivo tem preenchimento fechado. Na dúvida entre as duas, borde a mesma peça com as duas e compare o avesso contra a luz.

Qual gramatura para pano de prato e toalha?

Em pano de prato de algodão, 60 g a 70 g de rasgável resolve sem travar a flexibilidade da peça. Em toalha felpuda, combine 30 g a 40 g por baixo com um filme hidrossolúvel de 40 g por cima: a base dá estrutura e o filme impede que o ponteiro afunde na felpa.

Preciso de entretela para bordar lenço e tule?

Sim, mas da faixa mais fina: 20 g a 30 g, ou base solta no bastidor com filme hidrossolúvel de 40 g por cima quando o ponto for denso. Acima de 40 g em tecido transparente, a entretela deixa marca visível no direito depois do bordado.

Qual gramatura de entretela para boné?

O corpo e o painel do boné aceitam 70 g a 90 g de rasgável para o bordado. A estrutura de aba e cavilho é outra peça: usa entretela de memória (cavalinho) de 220 g a 330 g, aplicada com calor em torno de 150 °C por 12 a 15 segundos.

A entretela de gramatura alta deixa a peça dura?

Sim, quando ela passa do necessário para o tecido. Entretela pesada demais endurece o caimento, cria contorno visível ao redor do desenho e pode aparecer como um carimbo depois da lavagem. A regra é sempre a menor gramatura que segure o ponto sem deixar o ponteiro afundar.

Como calcular quantas gramaturas comprar para a produção?

Multiplique a área média do bordado pela quantidade de peças e acrescente 10% de margem de corte. Um bordado de 10 x 10 cm consome cerca de 100 cm² por peça, então 1.000 peças equivalem a aproximadamente 11 m². Compre em rolo de 90 cm para produção recorrente e mantenha 1 rolo reserva por gramatura em giro.

Qual gramatura escolher se você só pode comprar um rolo agora?

Se o estoque vai nascer com um único rolo, compre 40 g. É a gramatura que resolve camiseta, polo, uniforme leve, avental e bordado de densidade média — justamente a maior fatia do que chega num ateliê — e ela pode ser dobrada em duas camadas quando o bordado apertar, o que a aproxima do comportamento de 70 g sem exigir um segundo produto.

O segundo rolo, quando o giro justificar, deve ser o oposto extremo da faixa de uso: 70 g para peça elástica, felpada e bordado denso, que é onde a 40 g sozinha começa a falhar. Com 40 g e 70 g na bancada, você atende camiseta, polo, pano de prato, uniforme e toalha — e só então, quando um pedido de tule ou de bordado 3D aparecer, os extremos de 20 g e 90 g entram no estoque.

O que não vale a pena é começar pela gramatura mais alta "por segurança": ela não resolve mais casos e ainda cria o problema oposto de peça rígida. Para conferir o peso certo de cada produto antes de fechar o pedido, use a tabela de 20 g a 90 g deste guia e a categoria de entretelas e filmes para bordado da Lola Aviamentos, onde cada linha traz a gramatura declarada na embalagem.

Escolheu a gramatura? A Entretela Rasgável 70g Lec-70 de 90 cm x 200 m é a base padrão para camiseta, uniforme e bordado computadorizado denso.

Ver entretela rasgável 70g Lec-70